"Do tronco de Jessé sairá um rebento, e das suas raízes, um renovo" – Isaías 11.1 Obs: Comunidade localizada em São Paulo capital.

sábado, 1 de agosto de 2020

COMPREENSÃO, A FONTE DA ALEGRIA.

COMPREENSÃO, A FONTE DA ALEGRIA (CAP. 01)
(O Caminho Chassídico para a Alegria - Rabino Shlomo Majeski)


Simchá, a alegria, é um dos elementos mais essenciais do modo de vida chassídico. De fato, nos estágios iniciais do movimento chassídico, antes que a palavra chassidim fosse cunhada, um dos termos provisórios usados para denominá-los era die freiliche, que significa “os felizes”. Como se pode definir e identificar um chassid? Vendo se ele está bessimchá (em alegria), feliz e contente. Os Rebeim, líderes do movimento chassídico, sempre enfatizaram a importância da felicidade e exortaram seus seguidores a se empenharem na eliminação de todos os traços de tristeza e depressão. O Rabi Shlomo de Karlin dizia que a depressão é a porta para a entrada de todo o mal. Em outra ocasião, o Rabi Shlomo disse que, embora os 365 mandamentos negativos não incluam um mandamento proibindo a depressão, o dano que a melancolia e a depressão podem causar é pior do que o dano causado por qualquer pecado. Segundo o Baal Shem Tov, quando o yetzer hará (a inclinação para o mal) tenta persuadir uma pessoa a cometer um pecado, pouco lhe importa se a pessoa chegará ou não a pecar. Seu objetivo é vê-la, após o pecado, afundar na depressão e melancolia. Em outras palavras, a depressão que acompanha o pecado pode causar mais prejuízo espiritual do que o próprio ato de pecar.
A ênfase chassídica na alegria tem raízes nos ensinamentos da Cabalá. Seguindo essa linha, o Arizal ressalta que a Torá nos alerta para as inúmeras punições rigorosas que virão “em troca de não teres servido ao Eterno, teu D’us, com alegria e com bondade de coração”. Outros comentários explicam que a intenção do versículo é mostrar que os castigos virão porque as pessoas não serviram a D’us em tempos de alegria e prazer. O Arizal sustenta, porém, que o versículo deve ser entendido literalmente. Qual a razão para as punições que afligirão nosso povo? A seu serviço Divino faltava simchá; faltavam a vitalidade, energia e ligação com D’us que a alegria confere ao serviço Divino. A energia de uma pessoa triste ou deprimida se esvai; enfraquecida, ela pode ser dominada por sua inclinação para o mal. Uma analogia ilustra isso: quando dois homens lutam, se houver um mais forte, ele derrotará o mais fraco. No entanto, se ao lutador mais forte faltar vitalidade em consequência da depressão, então o oponente mais fraco, se estiver cheio de energia, poderá vencê-lo. Vamos retomar a analogia: Quando uma pessoa está feliz e cheia de energia, pode superar sua inclinação para o mal. No entanto, quando ela está triste, com a energia reduzida, mesmo que seja espiritualmente forte, seu yetzer hará pode facilmente controlá-la.
Poderíamos perguntar: Por que esses ensinamentos se identificam com o pensamento chassídico? Tais conceitos, à primeira vista, seriam aceitos por elementos de todos os setores do pensamento judaico. Na verdade, se fossem ligeiramente ampliados, poderiam ser compreendidos e aceitos por pensadores seculares também. Por que então eles são identificados com o chassidismo? A resposta é que a base teórica que permite à pessoa transferir esses ideais do plano abstrato para o factual é inerente ao chassidismo. O chassidismo ensina que a vitalidade e até a própria existência do mundo inteiro dependem totalmente de D’us. Cada elemento da criação é uno com D’us. Sem essa energia Divina, nada poderia existir. Isso conduz ao reconhecimento da hashgachá pratit, a Divina Providência. Tudo que ocorre, e não apenas às pessoas, mas também aos objetos inanimados, é resultado direto da vontade de D’us. Não só todos os entes do mundo existem em virtude da força vital de D’us; todos os eventos que se passam no mundo também resultam do fato de D’us fazer com que ocorram. A compreensão desses conceitos leva diretamente à simchá. Pois uma pessoa consciente de que tudo que lhe acontece é controlado por D’us certamente vive feliz. De fato, quem não sente tal felicidade está insinuando – D’us nos livre – que o ocorrido não tem ligação com D’us, ou que D’us provocou o evento, mas Ele não é bom. Isso é uma negação direta de D’us.
Quando se acredita que D’us é responsável por tudo que acontece e se crê na Sua bondade, então, naturalmente, tudo que acontece é bom. Se um indivíduo se levantasse e declarasse que tudo que acontece não vem de D’us, estaria negando a unidade de D’us. Mesmo quando alguém evita fazer tais declarações, mas age de maneira a deixa-las implícitas – por exemplo, ficando triste – as implicações são as mesmas. Os atos falam mais alto que as palavras, sem dúvida. Portanto, ao se mostrar melancólica, a pessoa nega a unidade de D’us. Nega o fato de que tudo no mundo está permanentemente ligado a D’us e que todos os acontecimentos são controlados pela Divina Providência. Por isso o chassidismo, que enfatiza com tanta clareza e veemência a ligação entre a criação e D’us, dá enorme importância à simchá. Além da contribuição da simchá para o nosso serviço Divino – pois, como foi dito acima, quando uma pessoa está triste, ela se torna fraca e vulnerável, e a inclinação para o mal pode tomar conta dela – algo muito maior do que a personalidade individual está em questão.
A felicidade e seu oposto estão ligados à consciência da unidade de D’us e Sua Providência constante. Nesse contexto, podemos entender um conceito original ensinado por nossos Sábios. Eles declaram que um indivíduo que perde a calma é considerado igual a quem adora ídolos. Qual é a relação entre perder a calma e a idolatria? Perder a calma é obviamente indesejável. Indica falta de controle; é socialmente inaceitável; no entanto, como se relaciona com a adoração de ídolos? A resposta é a seguinte: quando perde a calma, o indivíduo no fundo nega que o que está acontecendo vem de D’us. Se acreditasse que tudo vem de D’us, que D’us é bom e todos os Seus atos são bons, não haveria motivo para perder a calma, assim como não haveria espaço para a depressão e a tristeza.
Certa vez, um homem procurou o Rabi Dov Ber, o Maguid de Mezeritch, e perguntou: “Rebe, nossos Sábios dizem que devemos agradecer a D’us quando algo de bom acontece e também quando alguma coisa negativa acontece. Como se pode agir assim?” O Maguid de Mezeritch sugeriu: “Vá falar com um aluno meu, o Rabi Zushia. Ele lhe explicará.” Ao encontrar o Rabi Zushia, o homem logo viu, olhando para o seu rosto e para as suas vestimentas, que ele mal se alimentava e não tinha dinheiro para comprar roupas decentes. Tudo nele indicava privação, mas seu semblante irradiava felicidade. “Trata-se certamente de uma pessoa capaz de responder à minha pergunta”, disse de si para si. Então ele contou ao Rabi Zushia que o Maguid lhe dissera para procurá-lo, para que explicasse como se pode agradecer a D’us em face da adversidade. O Rabi Zushia o olhou intrigado. “Não sei como responder a essa pergunta”, retrucou. “É uma questão que deve ser respondida por alguém que já sofreu. Eu jamais experimentei o sofrimento em minha vida.” O Rabi Zushia estava dizendo ao homem que todos os acontecimentos são obras de D’us e controlados pela Divina Providência. Ele tinha certeza de que D’us é absolutamente bom. Para ele, era claro como o dia que tudo que acontece é bom. Sendo assim, jamais conhecera o sofrimento em sua vida.

sábado, 18 de julho de 2020

OS JUDEUS ACREDITAM EM SATAN (Ha Satã)?


(adaptado de My Jewish Learning)

Nos textos judeus, o diabo às vezes é um adversário e às vezes uma encarnação do mal.
Satanás aparece na Bíblia, foi discutido pelos rabinos do Talmud e é explorado em detalhes no misticismo judaico, ou na Cabala. Em hebraico, o termo Satanás geralmente é traduzido como "oponente" ou "adversário", e muitas vezes ele é interpretado como representando o impulso pecaminoso (em hebraico, yetzer hara) ou, mais geralmente, as forças que impedem que os seres humanos se submetam à divina vai. Ele também é considerado como um procurador ou acusador celestial, uma visão expressa no Livro de Jó, onde Satanás encoraja Deus a testar seu servo.
As fontes cabalísticas expandem consideravelmente a visão de Satanás, oferecendo um retrato rico e detalhado do reino demoníaco e das forças do mal no mundo, que devem ser afastadas em alguns casos com várias formas de magia, dos amuletos aos exorcismos.
SATAN NA BÍBLIA
A Bíblia contém múltiplas referências a Satanás. A palavra aparece apenas duas vezes na Torá, ambas as vezes na história de Balaão, o vidente que o rei moabita perguntou para curar os judeus. Quando Balaam vai com os emissários de Balaque, Deus coloca um anjo em seu caminho "l'satan lo" - como um adversário para ele. O termo aparece em várias outras instâncias nos Profetas, muitas vezes em um contexto semelhante - como um descritor para indivíduos que atuam como satanás, ou seja, como adversários.
Apenas duas vezes na Bíblia hebraica SATANÁS APARECE COMO UMA FIGURA ESPECÍFICA, como HaSatan - O SATANÁS. Uma é uma breve referência no Livro de Zacarias, onde o sumo sacerdote é descrito como de pé diante de um anjo divino enquanto Satanás tem o direito de acusá-lo. O outro está no Livro de Jó, onde Satanás tem um papel central na história como um anjo na corte divina. De acordo com a narrativa bíblica, Satanás - aqui comumente traduzido como o Adversário - parece exortar Deus a criar dificuldades para o seu justo servo Jovem, argumentando que Jó é fiel apenas por causa de sua riqueza e fortuna. Pegue esses, Satanás reclama, e Job vai blasfemar. Deus permite que Satanás remova a riqueza de trabalho, mate sua família e aflige-o fisicamente, nenhum dos quais induz a Jó a se rebelar contra Deus.
O Livro de Jovens às vezes é citado para apoiar a afirmação de que a visão judaica de Satanás como agente de Deus é diferente da visão cristã, que vê Satanás como uma força autônoma contra Deus. Na história, Satanás inflige sofrimento a um ser humano e procura induzi-lo a pecar - mas apenas com a permissão de Deus.
SATAN NO TALMUD
Satanás faz muitas aparições no Talmud. Uma passagem longa no sintácito do tratado conclui Satanás um papel central na história bíblica da ligação de Isaac. De acordo com o rabino Yehoshua ben Levi, Satanás causou que o povo judeu desesperasse com Moisés voltando do Monte Sinai, mostrando-lhes uma imagem do profeta em seu leito de morte. Uma passagem no tratado Megillah diz que Satanás que dança na festa do rei persa Assuero é o que levou ao assassinato da rainha Vashti na história de Purim.
SATAN NA CABALA E NO HASSIDISMO
A TRADIÇÃO MÍSTICA JUDAICA TEM MUITO A DIZER SOBRE SATANÁS. Na verdade, os textos cabalísticos oferecem uma descrição rica, NÃO APENAS DE SATANÁS, MAS DE UM REINO INTEIRO DO MAL POVOADO POR DEMÔNIOS E ESPÍRITOS que existe em paralelo ao reino dos santos. SANATÁS É CONHECIDO NA CABALA COMO SAMA'EL (traduzido em algumas fontes como O GRANDE DEMÔNIO) e o REINO DEMONÍACO geralmente como Sitra Achra - literalmente "o outro lado". O consorte de Sama'el (que é mencionado na literatura judaica pré-cabalística também) é Lilith, uma figura mítica da tradição judaica mais conhecida como a primeira esposa rebelde de Adão.
As fontes cabalísticas retratam o reino demoníaco como um reino separado e oposto em conflito com Deus. A Cabala ainda oferece explicações sobre as origens do reino demoníaco, cujo mais comum é que esse reino emerge quando o atributo de Deus associado à feminilidade e ao julgamento é dissociado do atributo de Deus associado à graça e à masculinidade e torna-se sem restrições. O mal, nessa leitura, resulta de um excesso de julgamento.
Muitas dessas idéias mais tarde encontrariam expressão nas crenças populares judaicas e nas obras dos mestres chasídicos. O rabino Yaakov Yosef, de Poloniye, um dos principais discípulos do fundador do Hasidismo, o Baal Shem Tov, escreveu em seu Toldos Yaakov Yosef que Deus eventualmente MATARIA O ANJO DA MORTE durante a era messiânica - uma crença que se reflete claramente na visão cristã de uma confronto final entre Deus e Satanás no final dos dias. Os contos populares hassídicos estão repletos de descrições de forças demoníacas, entre elas uma história famosa em que o Baal Shem Tov defende um grupo de crianças de um lobisomem. Ainda hoje, alguns judeus hassídicos buscarão proteções de tais forças na forma de amuletos ou encantamentos (*nota: estas práticas judaicas não encontram apoio na Torah e são proibidas por ela). Algumas comunidades judaicas, particularmente no mundo Sefaradita, também concedem amuletos como proteção contra espíritos malignos e mantêm uma série de costumes e rituais destinados a manter esses espíritos à distância. Fontes judaicas que remontam aos tempos bíblicos, incluindo fórmulas para exorcismos para libertar o possuidor de um espírito maligno, conhecido como dybbuk.
DIFERENÇAS E PONTOS EM COMUM ENTRE CONCEPÇÕES JUDAICAS ORTODOXAS, JUDAICAS CABALISTAS, JUDAICAS HASSÍDICAS E CRISTÃS
No geral, Satanás ocupa um lugar muito mais proeminente na teologia cristã do que nas fontes rabínicas tradicionais. O Livro do Apocalipse, no Novo Testamento, faz referência a uma "serpente antiga" - comumente entendida como a cobra que tentou Eva no Jardim do Éden - "quem é o Diabo e Satanás". Ele descreve um dragão vermelho com sete cabeças e 10 chifres que estão em frente a uma mulher grávida prestes a dar à luz para devorar a criança - isto é, Yeshua. O Apocalipse descreve ainda uma guerra no céu em que Satanás é lançado à terra, onde ele começa a desviar o mundo. (No Livro de Lucas do Novo Testamento, Yeshua diz que viu Satanás "cair como um raio do céu".) De acordo com a profecia cristã, Satanás será atado por uma cadeia por mil anos após o retorno de Yeshua.
Algumas dessas idéias cristãs são ecoadas na tradição judaica, mas algumas também apontam para diferenças fundamentais - sobretudo, talvez a idéia de que, na Bíblia hebraica, pelo menos, Satanás é subordinado a Deus, levando a cabo seu propósito na Terra. O judaismo Ortodoxo diz que ele não é real, mas é apenas uma metáfora de impulsos pecaminosos (Yetzer Hará).
A literatura Judaica Cabalística e Judaica Hasídica CONCORDAM COM A VISÃO CRISTÃ e rejeitam a visão ortodoxa, oferecendo um paralelo mais próximo à escatologia cristã. Tanto a tradição cabalística quanto a tradição Hasídica e Cristã descrevem as forças do Santo e as forças demoníacas travadas numa luta que culminará na eventual vitória de Deus. De acordo com alguns estudiosos, isso nasceu na cultura judaica na Espanha durante a Idade Média, de onde muitos dos primeiros textos cabalísticos, incluindo o Zohar , emergiu

sábado, 4 de julho de 2020

Aliás, o novo testamento (Brit Hadasha) ketuvim Netzarin é uma obra da igreja católica?