"Do tronco de Jessé sairá um rebento, e das suas raízes, um renovo" – Isaías 11.1 Obs: Comunidade localizada em São Paulo capital.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

( Núcleo palavra de vida )

Serie Solas da Reforma: Sola Fide


Sola Fide
por
Rev. Paul Settle

“Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei” (Romanos 3:28)
Os Reformadores descobriram, à partir das Escrituras, que os pecadores são justificados pela fé somente. Eles descobriram que a fé é mais do que simplesmente andar de cabeça erguida, esperando que as coisas melhorem (confiança desconectada de um objeto de confiança), e que ela é mais do que meramente crer no que uma igreja ou uma autoridade eclesiástica ensina (confiar numa igreja e aceitar seus dogmas sem confiar em Cristo como Salvador).
Na Bíblia, a fé verdadeira e viva é crer na Palavra de Deus e se entregar a Ele em segura confiança. A fé é a apreensão inteligente da alma da verdade revelada, a aceitação da verdade como se aplicando a si mesmo e a resposta para as suas próprias necessidades, a apropriação da verdade como uma palavra e um convite pessoal de Deus, e uma confiança ativa em Deus e no Seu Filho. Os Reformadores enfatizaram que a fé não é apenas a aceitação intelectual de fatos, mas, antes, é a segura confiança no Cristo vivo. “Confiar em Cristo”, diz Sinclair Ferguson, “...é o cerne da fé. Fé significa habitar em Cristo (João 15:1-11); ela significa receber a Cristo (João 1:12) e, portanto, abraçá-Lo em total confiança”. A fé gira em torno de Cristo e está fundamentada nEle. J. I. Packer recordar o acróstico da escola dominical que a expressa perfeitamente: F-A-I-T-H[Fé] — “Forsaking All, I Take Him” [Abandonando tudo, eu O seguro].
A confiança ou certeza da fé brota da consciência de descansar sobre a Palavra de Deus que “não pode mentir” (Tito 1:2). Deus é digno de confiança; Ele fala a verdade; nós cremos nEle e confiamos seguramente nEle. “Agora, pois, Senhor JEOVÁ, tu és o mesmo Deus, e as tuas palavras são verdade, e tens falado a teu servo este bem” (2 Samuel 7:28). A fé começa com as Sagradas Escrituras que foram escritas por homens inspirados pelo Espírito Santo e cujas palavras, portanto, constituem a própria Palavra de Deus. “Pelo que também damos, sem cessar, graças a Deus, pois, havendo recebido de nós a palavra da pregação de Deus, a recebestes, não como palavra de homens, mas (segundo é, na verdade) como palavra de Deus, a qual também opera em vós, os que crestes” (1 Tessalonicenses 2:13).
Nossa experiência de fé começa com as Escrituras; mas, qual é a origem da fé, de onde ela vem? Fé é uma graça, um dom de Deus (Efésios 2:8; Filipenses 1:29). Ela começa (e continua!) como uma obra do Espírito de Deus. Homens caídos não podem ler e entender a Bíblia sem a Sua assistência miraculosa. Eles não podem apreender nem confiar na verdade, nem podem aceitá-la e aplicá-la a si mesmos, ou recebê-la no coração como um convite pessoal de Deus. Pecadores não podem se voltar para Cristo sem o auxílio soberano e poderoso de Deus. Somente quando, e não até que, o Espírito ilumina o coração, um incrédulo pode agarrar as realidades do evangelho, renunciar seus pecados e sua pecaminosidade e vir a Cristo. Em outras palavras, uma pessoa deve “nascer de novo” antes que ela possa crer. A fé, portanto, vem após a regeneração (João 3:3; 1 Coríntios 2:14; João 6:44, 65; 2 Coríntios 4:4-6; João 3:3-8). Nós estamos mortos; o Espírito imparte o sopro de vida; esta primeira respiração é a fé.
Os pecadores estão ligados ou unidos a Cristo pela fé somente. A fé, unindo-nos a Cristo, faz com que todas as bênçãos espirituais sejam nossas (Efésios 1:3). Assim, a fé é suficiente — nada mais é necessário ou requerido. A fé é perfeitamente adequada para salvar, pois ela liga pecadores com um Salvador perfeitamente adequado. Nós desfrutamos uma salvação perfeita porque, à vista de Deus, estamos unidos com um Salvador perfeito. Quando o carcereiro filipense perguntou, “O que devo fazer para ser salvo?”, a resposta de Paulo disse tudo, “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo”.
Sola Fide!

(Rev. Paul Settle, um dos fundadores originais da Presbyterian Church in America (PCA), serve como pastor assistente na Park Cities Presbyterian Church (PCA) em Dallas, Texas).

Agostinho: a aflição do homem e o descansar em Deus



- Pequena reflexão a partir do livro II de “Confissões”, de Agostinho -


Por Jorge Fernandes Isah

No livro, Agostinho trata do pecado, mais especificamente, dos seus pecados. O tema é a depravação humana a partir dos seus exemplos pessoais e da experiência pecaminosa adquirida; do seu afastamento de Deus; da sua desobediência à lei divina; do gozo e prazer com tudo o que se podia configurar "mundano".

Agostinho abre a sua alma a Deus; o livro é uma grande oração, onde o seu coração é posto no lugar adequado: em Cristo, sua misericórdia e sacrifício.

Ele tece um longo poema em que as palavras fluem ritmadas; em que busca as mais profundas e límpidas expressões para retratar o que sentia à época em que era incrédulo, e também da sua alegria após a conversão e a reconciliação com Deus. "Confissões" é um fluir e brotar do espírito quebrantado e submisso ao Senhor.

Não há a preocupação em explicitar a teologia, ainda que ele faça teologia no livro. Não há lugar para o debate teológico, ainda que se possa discutir suas idéias. Por exemplo, ao afirmar que a cada dia se afastava mais de Deus, podemos entender que:
1)Havia um distanciamento maior, uma impossibilidade de se aproximar dele; e de que se encontrava cada vez mais afastado, a partir do afastamento inicial.
2)Ou pode-se ter a impressão de que em algum momento o homem esteve próximo de Deus e, com o decorrer dos dias e dos pecados, vai-se afastando naturalmente dele.
Aqui, nitidamente, Agostinho aponta para o conceito 1), a partir da separação inicial, o homem vai-se distanciando ainda mais da comunhão e santidade divinas.

Há de se entender que Agostinho acreditava na doutrina da pré-existência da alma, o que pode levá-lo a crer, em algum momento, que essa alma estava com Deus. Ao encarnar-se, assumindo a carne, ela irá afastar-se de Deus, em virtude do pecado original.

De qualquer forma, sem entrar em todos os pormenores que envolvem a questão, a afirmação de que quanto mais o homem peca, mais se afasta de Deus, é bíblica e correta. Apenas esse homem já está afastado, nunca teve comunhão com o Senhor, e labora para ir ainda mais para longe dele em seu estado de rebeldia.
Em toda a sua vida iníqua, em que o prazer ilícito e o desejar desfrutá-lo trazia-lhe uma alegria fortuita, ele reconhece a misericórdia divina em perdoá-lo de todos os seus pecados; reconhecendo a obra de Deus em resgatá-lo da podridão em que se encontrava; e, ao experimentar o seu amor e graça, percebeu a perenidade desse amor e da felicidade advinda dele, e a fugacidade daqueles outros "amores" terrenos: "Eis o meu coração, Senhor, o coração que olhaste com misericórdia no fundo do abismo. Que o meu coração te diga, agora, o que procurava então, ao praticar o mal sem outro motivo que não a própria malícia" [pg. 55].

O autor declara o estado em que se encontrava antes da conversão, o estado de impiedade; um aliado do mal; um coração aprisionado e atormentado, antes de Deus retirá-lo, por sua misericórdia, do fundo do abismo.

As declarações que se seguem, e as descrições que as acompanham, indicam uma alma depravada e impossibilitada de se aproximar de Deus; a cada dia mais envolvida com o pecado, desejando-o; e desprezando a Deus; completamente afastada dele.

Agostinho afirma a quase suficiência das obras más na vida do homem caído: "As próprias obras é que prejudicam os malvados" [pg 58]. Mas em qual sentido? Estariam elas independentes da vontade do homem? Seriam maiores que ela? Ou até mesmo do homem? Ou ao se concretizarem, sendo obra consumada [a realização temporal, prática, efetiva do pecado] é que os tornaria em homens perversos?

Agostinho considera o homem que comete tais obras como já sendo mau. Não há bondade nele, e o que acontecerá nada mais é do que a vazão pecaminosa indicando-lhe o caminho de perdição e de pecado, que culminará na condenação daquele que não creu no poder regenerador e salvífico do nosso Senhor Jesus Cristo.

Ao citar o dia em que ele e os amigos invadiram uma propriedade e furtaram pêras, pelo simples prazer do furto, para lançá-las fora, resumiu: "O fato é que não eram os frutos que me atraíam, mas a ação má que eu cometia em companhia de amigos que comigo pecavam" [pg 61].

Claramente, ele notifica não a fome, nem a beleza dos frutos, nem o seu sabor, ou o desejo de ganhar algum dinheiro com eles, nada disso. Agostinho nos fala apenas da ânsia de cumprir na sua carne o mal que habitava nela; a realização do desejo suficiente em si mesmo, e vivendo por si mesmo.

Mas há nele, agora, o arrependimento: "Eu, miserável, que frutos colhi das ações que cometi então e que agora recordo envergonhado, especialmente daquele furto que me satisfez pelo furto em si e nada mais? De fato, ele em si nada valia, e por isso me tornei ainda mais miserável!" [pg 61].

Para em seguida perguntar [sentenciando]: "Quem me pode responder senão aquele que me ilumina o coração e lhe dissipa as trevas?".

Falando da paz pela santidade, conclui: "Quem mergulha em ti, 'entra no gozo do seu Senhor', não terá mais receio, e permanecerá sumamente bem no Bem supremo. Desandei longe de ti, meu Deus, e na minha adolescência andei errante sem teu apoio, tornando-me para mim mesmo um antro de miséria" [pg 62].
O homem arrependido dos seus pecados e submisso a Deus, glorifica-o, e não tem parte no mundo, está nele, mas não é parte dele: "A amizade a este mundo é de fato adultério, prevaricação e infidelidade a ti" [pg 36 – referindo-se a Deus].
Que o bom Deus nos dê um coração quebrantado e submisso ao nosso Senhor Jesus Cristo, que pagou alto preço para que fosse derramado sobre nós a sua graça e misericórdia eternas e infinitas.

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