“Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe” (Sl 51:5)
As Escrituras diagnosticam o pecado como uma deformidade universal da natureza humana, encontrada em cada ponto em cada pessoa (1 Reis 8:46; Romanos 3:9–23; 7:18; 1 João 1:8–10). Ambos os Testamentos têm nomes para isso que demonstram o caráter ético como rebelião contra a lei de Deus, perdendo de vista o marco que Deus estabeleceu para que visássemos, transgredindo a lei de Deus, desobedecendo às diretivas de Deus, ofendendo a pureza de Deus ao perverter-se, e incorrendo em culpa ante a Deus o Juiz. Essa deformidade moral é dinâmica: o pecado se levanta como uma reação irracional, negativa e de rebelião ao chamado e comando de Deus, um espírito lutando contra Deus a fim de brincar de Deus. A raiz do pecado é o orgulho e inimizade contra Deus, o espírito visto na primeira transgressão de Adão; e atos pecaminosos sempre têm por traz deles pensamentos, motivos e desejos que de um modo ou de outro expressam a oposição obstinada do coração caído contra as reivindicações de Deus para nossas vidas.
Pecado pode ser compreensivelmente definido como a falta de conformidade com a lei de Deus em atos, hábitos, atitudes, perspectiva, disposição, motivação e meios de existência. Os textos que ilustram os diferentes aspectos do pecado incluem Jeremias 17:9; Mateus 12:30–37; Marcos 7:20–23; Romanos 1:18–3:20 7:7–25; 8:5–8; 14:23 (Lutero disse que Paulo escreveu Romanos para “magnificar o pecado”); Gálatas 5:16–21; Efésios 2:1–3; 4:17–19; Hebreus 3:12; Tiago 2:10–11; 1 João 3:4; 5:17. Carne em Paulo geralmente significa um ser humano dirigido por desejos pecaminosos. As faltas e os vícios particulares (i.e., formas e manifestações do pecado) que as Escrituras detectam e denunciam são numerosas demais para serem listadas aqui.
Pecado original, significando e pecado de nossas origens, não é uma frase bíblica (Agostinho a cunhou), mas ela traz para um foco frutífero a realidade do pecado em nosso sistema espiritual. A asseveração do pecado original não significa que o pecado pertence à natureza humana como Deus a criou (Deus criou a humanidade sem pecado, Eclesiastes 7:29), nem que pecado está envolvido no processo de reprodução e nascimento (a imundície relacionada com a menstruação, sêmen e o nascimento em Levítico 12 e 15 era apenas uma tipificação e cerimonial, não moral e real), mas que (a) a pecaminosidade marca a todos desde o nascimento, e está na forma de um coração motivacionalmente torcido, antes que se cometa qualquer pecado; (b) essa pecaminosidade interna é a raiz e a fonte de todo real pecado; (c) isso nos leva a auferir de forma real, embora de maneira misteriosa, nosso primeiro “representante” diante de Deus. A asseveração do pecado original toma o ponto de que não somos pecadores porque pecamos, mas ao invés disso pecamos porque somos pecadores, nascidos com nossa natureza escrava do pecado.
A expressão depravação total é comumente usada para tornar explícitas as implicações do pecado original. Isso significa uma corrupção de nossas naturezas morais e espirituais que não é total em grau (pois ninguém é tão mau quanto pode ser), mas em extensão. Ela declara que nenhuma parte de nós é intocada pelo pecado, e, portanto, nenhuma de nossas ações é tão boa quanto deveria ser, e, consequentemente, nada em nós ou sobre nós nunca aparece meritório aos olhos de Deus. Não podemos ganhar o favor de Deus, não importa o que façamos; a menos que a graça nos salve, estamos perdidos.
Depravação total implica inabilidade total, que é o estado de não ter a habilidade em si mesmo de responder a Deus e Sua Palavra de modo sincero e de todo o coração (João 6:44; Romanos 8:7–8). Paulo chama essa incapacidade de resposta do coração caído um estado de morte (Efésios 2:1, 5; Colossenses 2:13), e a Confissão de Westminster diz: “O homem, caindo em um estado de pecado, perdeu totalmente todo o poder de vontade quanto a qualquer bem espiritual que acompanhe a salvação, de sorte que um homem natural, inteiramente adverso a esse bem e morto no pecado, é incapaz de, pelo seu pr6prio poder, converter-se ou mesmo preparar-se para isso” (IX. 3).