"Do tronco de Jessé sairá um rebento, e das suas raízes, um renovo" – Isaías 11.1 Obs: Comunidade localizada em São Paulo capital.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

EXISTEM PROVAS DA EXISTÊNCIA DE YESHUA?



Ele não foi nenhum nobre, nem um rei, não realizou nenhuma façanha militar nem nada que deixasse vestígios arqueológicos
Há numerosas provas históricas da existência de Yeshua – inclusive mais do que as que demonstram a existência de pessoas como Júlio César.

A certeza histórica da existência do Mashiach Yeshua nunca foi questionada com seriedade em 2 mil anos; pelo contrário, foi demonstrada por fatos e inúmeras fontes antigas, cristãs, judaicas e pagãs.

A vida terrena de Yeshua não tinha nada para merecer a atenção de alguns historiadores o início da nossa era. A trajetória de um jovem provinciano que não construiu nada, não escreveu nada e só pregou durante três breves anos na Palestina, antes de morrer em uma cruz romana, não tinha realmente vocação de marcar a história.

A vida de Yeshua deveria ter passado totalmente inadvertida do ponto de vista histórico. Ele não foi nenhum nobre, nem um rei, não realizou nenhuma façanha militar nem nada que deixasse vestígios arqueológicos (exceto a Síndone de Turim e algumas relíquias). Com relação ao pequeno número de autores do século I que conhecemos – basicamente romanos e cerca de 20, segundo o historiador inglês E. M. Blaiklock –, eles se interessavam em geral somente pelos grandes acontecimentos políticos. Finalmente, a invasão e destruição de Jerusalém pelos romanos (ano 70) e o fato de que estes, durante 3 séculos, tentassem erradicar todo e qualquer rastro da fé no Mashiach Yeshua não deixariam a priori muitas possibilidades de que houvesse evidências disponíveis sobre o que ocorreu na Palestina na época de Yeshua, e muito menos da vida de Yeshua.

“O fato do Filho de Deus ‘Se fazer um de nós’ verificou-se na maior humildade – escreve João Paulo II em sua carta Tertio millenio adveniente, em 1994 –, pelo que não admira que a historiografia profana, absorvida por fatos mais clamorosos e personagens que davam mais nas vistas, lhe tenha dedicado, ao início, somente acenos fugidios, ainda que significativos (n.5).”

Yeshua teve, no entanto, muitos discípulos que, depois da sua ressurreição, deram testemunho dele corajosamente, pagando com a sua vida pelo que haviam visto e ouvido. Os 27 livros do Novo Testamento apresentam critérios de fiabilidade histórica: a pessoa pode se sacrificar pelo que acredita ser a Verdade, mas nunca daria a sua vida por algo que sabe que é mentira.

Os 27 livros do Novo Testamento, escritos pelos 4 evangelistas, 5 autores de cartas, testemunhas e contemporâneos, abrangem o período que se estende do nascimento de Yeshua ao ministério dos primeiros apóstolos. As cartas de Paulo são datadas entre os anos 48 e 67, o que o situa em uma época na qual os adultos haviam sido contemporâneos de Yeshua e podiam, portanto, reagir com relação à veracidade dos seus escritos.

Deixando de lado certas divergências menores que geralmente podemos explicar, encontramos nesses escritos uma abundância de detalhes geográficos e históricos que coincidem perfeitamente, e numerosos critérios fiáveis que mostram que estas testemunhas são pessoas sinceras e bem informadas, que não temem revelar seus próprios equívocos, faltas ou fraquezas, com tal de contar fielmente o que sabiam dos fatos. Por exemplo, não omitem nenhuma das reprovações feitas por Yeshua a elas: “Corações sem inteligência, lentos para crer…” (Lc 24, 25).

Parece difícil duvidar da sinceridade destas pessoas que querem até dar a vida para afirmar a veracidade do que dizem. Que interesse teriam em mentir? Para enganar quem e conseguir o quê? Três dos evangelistas e 11 dos 12 apóstolos selaram seu testemunho com uma morte terrível pelo martírio. A pessoa pode se sacrificar pelo que acredita ser a Verdade, mas nunca daria a sua vida por algo que sabe que é mentira.

A prova mais contundente de que Yeshua existiu é o fato de que milhares de seus seguidores do primeiro século, incluindo os 12 apóstolos, efetivamente aceitaram arriscar ou entregar suas vidas como mártires por Yeshua Hamashiach.

A existência de Yeshua é demonstrada pelos testemunhos de contemporâneos com grande continuidade, do século I ao II, depois pelos Pais da Igreja e também pelos relatos apócrifos.

Além dos 27 livros do Novo Testamento, que nos proporcionam informações de primeira mão sobre Yeshua, sua vida e seus ensinamentos, existem outros muitos escritos não bíblicos que testificam sua historicidade.

Os primeiros testemunhos históricos a levar em consideração são dos “Pais” chamados “apostólicos” – homens ou escritos anônimos do período imediatamente posterior ao dos apóstolos. Encontramos, por exemplo, as cartas de Clemente de Roma (um colaborador próximo de Paulo), de Inácio de Antioquia (provável discípulo de Pedro e João) e de Policarpo de Esmirna (instruído pelos apóstolos e constituído Rosh por eles), que comentam as Escrituras e ilustram as comunidades seguidoras de Yeshua  sobre os diversos ensinamentos transmitidos por Yeshua aos primeiros discípulos.

Para eles – e para toda a geração seguinte (dos séculos II ao VI) –, os autores eclesiásticos, conhecidos sob o nome mais genérico de “Pais da Igreja”, como Eusébio de Cesareia, Irineu de Lyon, Orígenes, Tertuliano, não tiveram dúvida de que Yeshua é um personagem histórico. E a sua adesão aos seus ensinamentos é total.

Quanto aos relatos apócrifos, que apresentam aos historiadores tantos problemas de reconstituição devido à frágil fiabilidade das tradições que transmitem, jamais colocam em dúvida a existência de Yeshua.

Junto a estas fontes, que oferecem também os primeiros balbucios da congregação após a morte de Yeshua, outros escritos não-cristãos do mundo antigo mencionam a pessoa de Yeshua sem jamais questionar a sua existência.

Inclusive os judeus que combateram os seguidores de Yeshua desde o começo nunca questionaram os relatos evangélicos.

O Talmude, que é uma recopilação das tradições orais do judaísmo, redigida no século IV, fala de Yeshua em vários lugares, dizendo dele e dos seus discípulos que faziam milagres mediante a magia, mas sem evocar jamais a hipótese de que Yeshua nunca tenha existido. O Talmude babilônico confirma a crucifixão de Yeshua na vigília da Páscoa.

Yeshua também é mencionado pelo historiador judeu convertido em cidadão romano, Flávio Josefo (século I), quem menciona Yeshua e seu “irmão” Tiago em suas “Antiguidades Judaicas” (sobre a história do povo judeu). Ele, contemporâneo dos acontecimentos, fala também de um “Yeshua  hábil em fazer prodígios”, que “foi condenado à cruz” e que este “era o Messias”.

É mencionado também pelo filósofo platônico Celso, um judeu romano, autor do “Discurso Verdadeiro”, virulento ataque contra os seguidores de Yeshua (século II). Nele, escreve: “Vocês consideram como Divino um personagem que acabou uma vida infame mediante uma morte miserável”.

Entre os romanos, podemos indicar três testemunhas que, como os judeus, não são, em absoluto, elogiosos com relação a Yeshua, mas têm o mérito de oferecer outras provas da sua existência: Plínio o Jovem, governador romano por volta do ano 122 da nossa era; o historiador Tácito, considerado o mais preciso do mundo antigo, pois fala da morte de Yeshua em seus Anais, escritos por volta do ano 115; e Suetônio (+125), que cita os seguidores de Yeshua em “A vida dos 12 Césares”: “Cláudio expulsou os judeus de Roma, que causavam permanentes problemas, devido a um tal Chrestus”, diz em uma delas.

É preciso mencionar igualmente o testemunho de um escritor satírico grego: Luciano de Samósata (125-192), que diz de Yeshua que “é honrado na Palestina”, pois “foi crucificado depois de introduzir um novo culto entre os homens”; é “o primeiro legislador” dos seguidores de Yeshua, “o sofista crucificado” cujas leis permanecem (“Morte de Peregrinus”, 11-13).

Cabe lembrar também do pagão Thallus (ou Thale), um historiador/cronista contemporâneo de Yeshua, citado pelo escritor Sexto Júlio Africano (em 220), que fala do eclipse ocorrido no momento da crucifixão de Yeshua.

Outro testemunho procede de um dos raros documentos históricos do século I que foi encontrado: uma carta conservada no British Museum (manuscrito sírio n. 14658), no qual certo Mara Bar-Serapion, sírio, então preso, dirige-se ao seu filho Serapion, pedindo-lhe que busque os caminhos da sabedoria. Após ter citado os nomes de Sócrates e Pitágoras, cita Cristo (Christus), dizendo dele: “Que vantagem tiveram os judeus, executando o seu rei sábio? Seu reino foi destruído pouco depois”. O sírio confirma indiretamente que Yeshua era reconhecido como homem sábio e virtuoso, considerado por muitos como o rei de Israel, que foi executado e que sobreviveu nos ensinamentos dos seus discípulos.

“Estes relatos independentes mostram que, desde os primeiros tempos, nem sequer os adversários da fé no Mashiach Yeshua duvidaram de que Yeshua  tenha realmente existido”, conclui hoje a Encyclopediae Britannica, precisando que “foi no final do século XVIII, durante o século XIX e no começo do século XX que a historicidade de Yeshua foi questionada pela primeira vez, por motivos insuficientes, por parte de diversos escritores”.

No século XVII, a história se tornou uma verdadeira ciência. Foi nesse momento que nasceram (como em muitos outros temas) as primeiras perguntas sobre a existência de Yeshua. Mas foi nos séculos seguintes quando houve verdadeiramente dúvidas e discussões, certos historiadores extremistas começaram a desenvolver teses segundo as quais Yeshua teria sido produto de um mito ou de uma mitologia.

Mas as suas teses foram refutadas, uma a uma, pelos historiadores especializados, como o professor de história do cristianismo na Sorbonne, Charles Guignebert, em 1933, quem disse, com relação a elas: “Os esforços, com frequência eruditos e engenhosos dos especialistas em mitologia, não convenceram os sábios independentes e desinteressados, a quem não lhes impediria reconhecer um fato bem estabelecido. Sua adesão teria uma razão de ser. O entusiasmo dos incompetentes não compensa este fracasso”.

Depois dos anos 30, a questão da historicidade de Yeshua teve um parênteses e, após esse período, conheceu uma nova tentativa de recuperação nos anos 50, mas foi rapidamente sufocada pelos especialistas em Novo Testamento e em cristianismo antigo, que não aceitaram nenhuma das hipóteses propostas.

Atualmente, 95% dos historiadores acreditam que Yeshua existiu. São unânimes: existem mais provas da sua existência que da existência de outros personagens históricos, como Júlio César, por exemplo, nascido 100 anos antes dele.

Citações

– “O fato do Filho de Deus ‘Se fazer um de nós’ verificou-se na maior humildade, pelo que não admira que a historiografia profana, absorvida por fatos mais clamorosos e personagens que davam mais nas vistas, lhe tenha dedicado, ao início, somente acenos fugidios, ainda que significativos.” (João Paulo II, carta Tertio millenio adveniente, 10 de novembro de 1994, n. 5)

– Enciclopédia Britânica, 15ª edição, a propósito dos testemunhos independentes sobre Jesus: “Estes relatos independentes mostram que, desde os primeiros tempos, nem sequer os adversários do cristianismo duvidaram de que Jesus tenha realmente existido. Foi no final do século XVIII, durante o século XIX e no começo do século XX que a historicidade de Jesus foi questionada pela primeira vez, por motivos insuficientes, por parte de diversos escritores”.

– Grande Enciclopédia Larousse: “Os historiadores sérios são unânimes ao afirmar, sem hesitar, que Jesus realmente existiu” (Vol. 11, p. 6699).

– Suetônio (testemunha indireta que prova que, 20 anos depois da morte de Cristo, havia cristãos ativos em Roma): “Cláudio expulsou os judeus de Roma, que causavam permanentes problemas, devido a um tal Chrestus” (Vida de Cláudio, XXV.11).

– A medida repressiva de Cláudio é, por outro lado, testemunhada nos Atos dos Apóstolos (no ano 52, em Corinto, Paulo encontra uma família judia que havia sido expulsa de Roma (Atos 18, 2).

– Suetônio: “Ele entregou à tortura os cristãos, raça adita a uma superstição nova e culpável” (Vida de Nero, XVI.3).

– Tácito: “O nome ‘cristão’ vem do nome de Cristo, que foi condenado sob o reinado de Tibério, pelo procurador Pôncio Pilatos” (Anais, 15.44).

– Plínio o Jovem: “Os que negaram ser cristãos ou tê-lo sido, ou que invocavam os deuses de acordo com a fórmula que eu lhes ditava e faziam sacrifícios mediante o incenso e o vinho diante da sua imagem, que haviam trazido para esse fim as estátuas dos deuses, ou ainda maldiziam Cristo – coisas estas que são impossíveis de conseguir daqueles que são realmente cristãos –, pensei que deveria colocá-los em liberdade. (…) [Os que se diziam cristãos] afirmam que toda a sua culpa ou seu erro se limitava a ter o costume de reunir-se em um dia fixo antes do amanhecer e cantar entre eles, alternativamente, um hino a Cristo, como a um deus…” (Cartas e Panegírico a Trajano: X/96/5-7). Este texto não afirma a existência de Jesus Cristo, mas a confirma de forma indireta: prova que, de fato, no início do século II, homens e mulheres acreditavam firmemente na sua existência.

– “Nosso conhecimento de Jesus é uma continuidade sem ruptura.” (Pe. Antoine Guggenheim)

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