"Do tronco de Jessé sairá um rebento, e das suas raízes, um renovo" – Isaías 11.1 Obs: Comunidade localizada em São Paulo capital.

segunda-feira, 9 de março de 2020

A RESSURREIÇÃO DE YESHUA, FRAUDE OU HISTÓRIA? (PARTE 03)


3. O SEPULTAMENTO

Ao tratar das narrativas que descrevem o sepultamento de Yeshua no sepulcro de José de Arimatéia, Wilbur Smith escreve: "Temos mais conhecimento sobre o sepultamento do Senhor Yeshua do que temos sobre o sepultamento de qualquer outro indivíduo em toda a história antiga. Sabemos muitíssimo mais sobre Seu sepultamento do que sobre o sepultamento de qualquer outra personagem do Antigo Testamento, de qualquer rei da Babilônia, Faraó do Egito, de qualquer filósofo grego, ou de qualquer César vitorioso. Sabemos quem tirou Seu corpo da cruz; sabemos algumas coisas sobre o corpo ter sido
envolvido em especiarias e em tecidos apropriados; temos informações sobre o próprio túmulo em que esse corpo foi colocado, o nome do homem que o possuía, José, oriundo de uma cidade conhecida como Arimatéia; sabemos até mesmo onde esse túmulo estava localizado, num jardim próximo ao lugar onde Ele foi crucificado, fora dos muros da cidade. Dispomos de quatro narrativas sobre o sepultamento de nosso Senhor, todas elas concordando entre si de modo surpreendente: a narrativa de Mateus, um discípulo de Yeshua que esteve presente quando Ele foi crucificado; a narrativa de Marcos, cujo Evangelho alguns afirmam que foi escrito até dez anos depois da ascensão do Senhor; a narrativa de Lucas, um companheiro do apóstolo Paulo e grande historiador; e a narrativa de João, que foi o último a se afastar da cruz e que, com Pedro, foi o primeiro dos doze a, na manhã do primeiro dia da semana após Pessach, ver o túmulo vazio".

O historiador Alfred Edersheim apresenta os seguintes detalhes sobre os costumes dos judeus quanto ao sepultamento: "Não apenas os ricos, mas até mesmo aquelas pessoas razoavelmente prósperas possuíam seus próprios túmulos, os quais eram provavelmente adquiridos e preparados bem antes de se tornarem necessários, sendo considerados e herdados como propriedade pessoal e particular. Nessas cavernas, ou túmulos escavados na rocha, eram colocados os corpos, após serem ungidos com muitas especiarias, com
murta, aloés, e, numa época posterior, também com hissopo, essência de rosas e água de rosas. O corpo era vestido e, num período posterior, envolto, se possível, num tecido gasto em que, originalmente, um Rolo da Lei tivesse sido acondicionado. Os 'túmulos' ou eram 'escavados na rocha', ou eram 'cavernas' naturais, ou então câmaras mortuárias com grandes paredes, com nichos junto a essas paredes".

Sobre o sepultamento de Yeshua diz Edersheim: "É possível que a aproximação do santo Shabat e a conseqüente necessidade de pressa tenham dado a José de Arimatéia, ou tenham-lhe imposto, a idéia de colocar o Corpo de Yeshua em seu túmulo particular escavado na rocha, onde ninguém ainda havia sido sepultado..."

"A cruz foi descida e deitada no chão; os terríveis cravos foram arrancados e as cordas foram soltas. José, junto com aqueles que o ajudavam, 'envolveu' o Corpo Sagrado 'em lençóis de linho' e rapidamente O levou ao túmulo escavado na rocha, que ficava no jardim ali vizinho. Esse tipo de túmulo ou caverna escavada na rocha (meartha ) possuía nichos (kukkin ), onde os mortos eram colocados. Deve-se lembrar que na entrada do 'túmulo' — e já dentro da 'rocha' — havia 'um pátio' quadrado, com cerca de dois metros e setenta centímetros de cada lado, onde geralmente era colocado o estrado onde fora transportado o corpo
e onde as pessoas que o haviam carregado se reuniam para os ofícios fúnebres finais."

Em seguida Edersheim menciona que "...aquele outro membro do Sinédrio, Nicodemos... veio então, trazendo 'um rolo' de mirra e aloés, naquela combinação de perfumes bem conhecida dos judeus, os quais a utilizavam com o propósito de ungir ou de preparar o corpo para sepultamento".

Foi no 'pátio' do túmulo que se deu o apressado embalsamamento — se é que se pode chamar aquilo de embalsamamento."

A época de Yeshua era costume utilizar grandes quantidades de especiarias para embalsamar o morto, especialmente no caso em que a pessoa morta era muito estimada.
Michael Green dá alguns detalhes sobre a preparação que os restos mortais de Yeshua receberam para o sepultamento: "O corpo foi posto numa saliência de pedra, envolvido e bem apertado em tiras de pano, e coberto com especiarias. O Evangelho de João nos diz que cerca de 32 quilos de especiarias foram utilizados, e essa quantidade foi provavelmente suficiente. José era um homem rico e, sem sombra de dúvida, queria compensar a covardia que tinha tido durante a vida de Yeshua dando-lhe um esplêndido funeral. A quantidade, embora grande, tem inúmeros paralelos. O rabino Gamaliel, um contemporâneo de
Yeshua, ao morrer foi embalsamado com cerca de 36 quilos de especiarias".

Flávio Josefo, o historiador judeu do primeiro século, cita o funeral de Aristóbulo, que foi "assassinado com dezoito anos incompletos, e tendo ocupado o sumo sacerdócio por apenas um ano" (Antiguidades dos Judeus, 15.3.3).
Por ocasião do funeral de Aristóbulo, Herodes "providenciou para que a cerimônia fosse bem
imponente, através de grandes preparativos para o sepulcro receber o seu corpo, e através de uma grande quantidade de especiarias, e mediante a colocação junto ao corpo de muitos objetos de adorno" (Antiguidades dos Judeus, 17.8.3).

O professor James Hastings diz o seguinte sobre os panos encontrados no túmulo vazio de Yeshua: "Já à época de Crisóstomo (século quarto A.D.) chamava-se a atenção para o fato de que a mirra era uma substância que gruda tão fortemente no corpo que os panos que envolviam o corpo não se removiam com facilidade".

Merrill Tenney assim explica a questão dos panos: "Ao se preparar um corpo para o sepultamento, de acordo com o costume judaico, geralmente lavava-se e endireitava-se o corpo, e então enrolava-se apertadamente o corpo, desde as axilas até o tornozelo, com faixas de linho de aproximadamente trinta centímetros de largura. Especiarias aromáticas, freqüentemente de uma consistência pegajosa, eram postas entre uma camada e outra de pano. Em parte elas ajudavam a preservar o corpo e em parte serviam como um adesivo para colar as tiras de pano, formando um revestimento sólido... O termo empregado por
João, literalmente 'atou' (no grego edesan ), está em perfeita harmonia com o que encontramos em Lucas 23:53, onde o escritor afirma que José de Arimatéia envolveu o corpo de Yeshua num lençol de linho... Na manhã do primeiro dia da semana o corpo de Yeshua desapareceu, mas os panos em que fora enrolado o corpo ainda estavam ali..."

Em The International Standard Bible Encyclopedia (Enciclopédia Bíblica Modelar Internacional), o professsor George B. Eager diz o seguinte do sepultamento de Yeshua: "Foi em estrita obediência aos costumes e determinações da lei mosaica (Deuteronômio 21:23: 'O seu cadáver não permanecerá no madeiro durante a noite, mas certamente o enterrarás no mesmo dia: porquanto o que for pendurado no madeiro é maldito de Deus: assim não contaminaras a tua terra, que o Senhor teu Deus te dá como herança'; cf. Gálatas 3:13: 'Yeshua nos resgatou da maldição prevista na Lei, fazendo-se ele próprio maldição em
nosso lugar, porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro'), bem como de conformidade com os impulsos verdadeiramente humanos, que José de Arimatéia foi até Pilatos e lhe solicitou o corpo de Yeshua, para sepultá-lo no próprio dia da crucificação (Mateus 27:58ss)".

O professor Eager ainda comenta o seguinte: "Os missionários da Síria e os naturais desse país nos relatam que lá ainda é costume lavar o corpo (cf. João 12:7; 19:40; Marcos 16:1; Lucas 24:1), atar mãos e pés com tiras de pano, geralmente de linho (João 19:40) e cobrir o rosto ou envolvê-lo com um lenço ou um pano um pouco maior (João 11:44b). Ainda é costume colocar nesses panos que envolvem o corpo especiarias aromáticas e outros preparados que retardem a decomposição... A Bíblia nos conta que, para o sepultamento de Yeshua, Nicodemos levou 'cerca de cem libras de um composto de mirra e aloés', e que Maria Madalena e duas outras mulheres compraram aromas com o mesmo propósito (Marcos 16:1; Lucas 23:56)".

Henry Latham apresenta estes detalhes a respeito do sepultamento de Yeshua: "Com base em escritos bem antigos pode-se supor que o corpo era levado para o sepultamento sem um caixão ou sem qualquer outra espécie de invólucro. Era carregado num estrado sobre os ombros dos homens e, vestido de modo usual, enrolado com faixas de pano, a fim de, talvez, manter as especiarias junto ao corpo, ou então era atado com pano de linho. O dr. Edersheim (vol. 1, p. 556) diz que 'o rosto do corpo morto não era coberto.
O corpo jazia com o rosto voltado para cima e as mãos cruzadas sobre o peito'. A julgar pelo costume existente... creio que o pescoço e a parte superior dos ombros geralmente não era envolta em panos, da mesma forma como acontecia com o rosto".
"Conforme lemos (João 19:38-41), foi com bastante pressa que Nicodemos e José de Arimatéia prepararam o corpo do Senhor para o sepultamento. Creio que o corpo foi envolvido com três ou quatro camadas de linho, com uma abundante quantidade de especiarias entre uma camada e outra, e que o lenço foi colocado em volta da cabeça, tendo-se dado um laço com as pontas do lenço. Quando o corpo foi posto no túmulo, a cabeça provavelmente descansou sobre a parte mais elevada do túmulo, a qual servia de
travesseiro".

"Chegamos agora à questão das especiarias. Nem no Evangelho de São João, nem em qualquer dos outros se diz que foram vistas especiarias no túmulo. Isso assume um aspecto significativo em meu raciocínio. Em geral já se tem observado que a quantidade de especiarias que, segundo São João, Nicodemos levou para preparar o corpo para o túmulo, era extremamente grande. No entanto, para mim a quantidade não é tão importante quanto o fato, que parece ser confirmado pelos principais estudiosos do assunto, de que as  especiarias eram secas e que, assim sendo cairiam pelo chão caso o corpo fosse colocado de pé ou caso os panos fossem removidos. Cem libras de especiarias faziam uma quantidade que seria facilmente vista devido ao grande volume que ocupava. O que é chamado de 'aloés' era um tipo aromático triturado ou reduzido a pó, enquanto a mirra era uma cola muito perfumada, que, em pequenas quantidades, era misturada a madeira em pó. Conforme ainda podemos descobrir, também era costume ungir o corpo com um ungüento semi-líquido, o nardo, por exemplo. Um dos efeitos dessa unção era fazer com que o pó imediatamente grudasse no corpo, mas em sua maior parte o pó permanecia seco. Também ungiam a cabeça e o cabelo com esse ungüento. Não encontro informações de que a especiaria em pó fosse aplicada no rosto ou na cabeça. No entanto, quando o corpo
de Nosso Senhor foi rapidamente preparado para o sepultamento, acredita-se que não houve tempo para ungir o corpo ou para qualquer processo mais elaborado, pois o pôr-do-sol rapidamente se aproximava e, junto com ele, chegaria o Shabat. É possível que o corpo tenha sido apenas envolto com especiarias em pó. Pode ser que as mulheres, dentro do que estava ao seu alcance, tenham desejado reparar essa omissão e que aquilo que elas levaram na manhã de domingo tenha sido nardo, ou algum ungüento precioso, a fim de terminar a unção. João menciona apenas mirra e aloés, mas Lucas diz que as mulheres prepararam
aromas e balsamos, e em Marcos lemos que elas 'compraram aromas para irem embalsamá-lo' (16:1). Provavelmente elas não pretendiam remover os panos, mas apenas ungir a cabeça e o pescoço com os ungüentos".

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